Skate feminino sobe no Brasil após as Olimpíadas de Tóquio

Quando viu a brasileira Rayssa Leal, de 13 anos, ganhar a prata na primeira competição de skate de rua dos Jogos Olímpicos de Tóquio, Giovanna Alves Farias só tinha um desejo: começar a voar ela mesma por uma pista de skate.

“Quase chorei. Ver uma garota de 13 anos como eu ganhar uma medalha foi tão inesperado!” Giovanna disse à AFP. “Antes dos Jogos, eu já tinha interesse em andar de skate, mas depois de ver isso, disse ao meu pai: ‘Vamos lá!'”

O sucesso de Leal está gerando um boom no skate – há muito um esporte dominado pelos homens – entre mulheres e meninas no Brasil, que se veem subindo a novas alturas, talvez até nas Olimpíadas.

Logo após o término das Olimpíadas em Tóquio, a adolescente começou a testar suas habilidades em um parque em São Bernardo do Campo, próximo à megacidade de São Paulo.

Ana Clara Agostinni, de apenas 12 anos, já vinha treinando suas manobras no skate há algum tempo, mas o frenesi em torno de Leal – conhecida como a “Fadinha” – impulsionou seu desejo de colocar suas habilidades à prova na competição.

“Estou pensando em como seria participar das Olimpíadas e estou treinando”, disse ela.

Vestida com capacete e protetores de pulso, Ana Clara admite que também está em busca da adrenalina que lhe proporciona o arremesso de obstáculos no parque.

“Adoro a sensação de ir rápido e ir cada vez mais alto, então fico mais confiante e tento alguns truques novos”, diz ela.

– ‘Missão cumprida’ –

Leal ganhou fama viral aos sete anos de idade, graças a um vídeo dela fazendo manobras de skate vestida de Tinker Bell das histórias infantis de Peter Pan.

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Julia de Souza Lima Martins, de oito anos, quer seguir seus passos.

“Minha tia gravou as Olimpíadas, assisti à competição e estou tentando imitar as manhas”, diz Julia no parque São Bernardo do Campo com um sorriso. Seu capacete é rosa chiclete.

Para Dora Varella, de 20 anos, outra integrante da equipe olímpica de skate do Brasil em Tóquio, ver cada vez mais garotas praticando o esporte tem sido uma das maiores recompensas.

“Quando voltamos do Japão, vi que havia um grande aumento no interesse pelo skate e disse a mim mesmo: ‘Missão cumprida!'”

“Há cada vez mais aulas de skate para crianças pequenas e vejo que muitas vezes há mais meninas do que meninos. Isso é o que é realmente incrível nas Olimpíadas”, acrescentou Varella, que é profissional.

Quando Varella começou a andar de skate, há 10 anos, ela era uma das únicas garotas na rampa, mas diz que nunca se preocupou com isso.

“No skate, todos compartilham a mesma paixão. Quer você tenha cinco ou 40 anos, homem ou mulher, somos todos tratados da mesma forma”, diz ela.

– ‘Faça algo de bom com a minha vida’ –

Mas o chauvinismo masculino certamente estava vivo e bem no skate no passado, de acordo com Renata Paschini, de 46 anos.

“Quando eu era mais jovem, os meninos me diziam: ‘Ei, olhe a garota aqui nos incomodando’ ou ‘a garota tentando nos pegar'”, disse ela.

Na década de 1980, o skate era considerado um esporte para delinquentes no Brasil, e até mesmo foi proibido em um ponto em São Paulo por autoridades municipais.

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“Venho de uma família muito tradicional e corri o risco de desonrá-los se descobrissem que eu estava andando de skate. Tive que esconder minha prancha em uma mochila em vez de carregá-la debaixo do braço”, disse Paschini.

Em 2009, criou a Associação Feminina de Skateboarder, que organizava competições femininas e femininas e fazia com que o skate park de São Bernardo do Campo tivesse horários reservados para mulheres.

O esporte também se tornou uma saída para jovens em situação de risco, como os atendidos pela organização não governamental Skate Social, criada em 2012 em Poa, um bairro pobre de São Paulo.

O grupo dá aulas gratuitas de skate para cerca de 150 jovens, 44 deles meninas, como Keila Emilyn Amaro da Silva, de 13 anos.

“Estou me dedicando a treinar para ir às Olimpíadas e fazer algo de bom com minha vida”, diz ela.

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