‘Sem república das bananas’: políticos do Brasil dizem que votação acontecerá após história bombástica

BRASÍLIA, 22 de julho (Reuters) – Os principais políticos brasileiros fizeram fila na quinta-feira para enfatizar a eleição presidencial do próximo ano, após uma notícia bombástica de jornal de que o ministro da Defesa do Brasil havia ameaçado a realização de votação altamente polarizada.

O Estado de S. Paulo, citando fontes anônimas, informou que o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, um ex-general do exército, disse ao presidente da Câmara, Arthur Lira, por meio de um interlocutor, que as eleições de 2022 não aconteceriam a menos que as cédulas impressas fossem usadas. A Reuters não foi capaz de verificar a história de forma independente.

Tanto Lira quanto Braga Netto negaram a reportagem, que abalou a classe política brasileira.

Ele surge em meio a repetidas alegações públicas – e infundadas – do presidente Jair Bolsonaro de que o sistema de votação eletrônica do Brasil é vulnerável a fraudes. Com sua popularidade caindo depois de supervisionar o segundo surto de coronavírus mais mortal do mundo, Bolsonaro está pressionando para substituir o sistema por cédulas impressas, mas o projeto não ganhou muita força no Congresso.

Os críticos alegam que Bolsonaro, assim como seu ídolo, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, está semeando dúvidas eleitorais para abrir caminho para que ele não aceite nenhuma perda. As pesquisas de opinião mostram que ele está atrás do ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, embora nenhum dos dois tenha anunciado oficialmente sua candidatura ainda.

Na esteira da história do Estado de S. Paulo, Lira escreveu em um tweet que os brasileiros vão votar no próximo ano em uma eleição “secreta e soberana”. Seu homólogo no Senado, Rodrigo Pacheco, também garantiu aos brasileiros que as eleições de 2022 ocorrerão, seja por meio de boletins impressos ou eletrônicos.

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O vice-presidente do Brasil, o ex-general do Exército Hamilton Mourão, também disse que era “lógico” que a votação do próximo ano ocorresse.

“Quem vai proibir uma eleição no Brasil?” ele disse. “Não somos uma república das bananas.”

Braga Netto, falando em evento em Brasília, disse que as Forças Armadas estão comprometidas com a democracia e a liberdade.

Em nota divulgada pelo Ministério da Defesa nesta quinta-feira, Braga Netto disse que “a discussão sobre o voto eletrônico auditável por meio de prova impressa é legítima”, acrescentando que acredita que “todos os cidadãos desejam a máxima transparência e legitimidade” no processo eleitoral.

Luis Roberto Barroso, chefe do tribunal eleitoral federal do Brasil, disse que conversou com Braga Netto e Lira, que negaram “enfaticamente” a reportagem do jornal.

Escrevendo no Twitter, João Caminoto, diretor de notícias do grupo de mídia que dirige o Estado de S. Paulo, defendeu a reportagem do jornal. “Considero importante reafirmar na íntegra o conteúdo do relatório publicado”, escreveu.

AMEAÇAS ELEITORAIS

Bolsonaro disse que não pode aceitar o resultado de uma eleição usando o voto eletrônico em 2022.

“Haverá cédulas impressas, porque se não houver cédulas impressas, isso é um sinal de que não haverá eleições. A mensagem é clara”, disse Bolsonaro no início deste mês.

A história do Estado de S. Paulo ressoou no Brasil, onde um golpe em 1964 levou a 21 anos de regime militar.

“Em uma democracia, não são os militares que decidem se haverá ou não eleição, mas a constituição que juraram defender e obedecer”, disse o parlamentar Marcelo Ramos, vice-presidente da Câmara, em nota .

O tribunal eleitoral do Brasil negou repetidamente que o sistema é vulnerável a fraudes ou que haja evidências de fraude nas eleições anteriores, e Bolsonaro ainda não apresentou provas para apoiar suas reivindicações.

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Reportagem de Lisandra Paraguassu, escrita por Carolina Mandl, Stephen Eisenhammer e Gabriel Stargardter, edição de Rosalba O’Brien

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