Lideranças indígenas brasileiras são intimadas por criticar governo

A agência de relações indígenas do Brasil, Funai, pediu a uma importante liderança indígena que explique suas críticas ao governo de direita do presidente Jair Bolsonaro e ao impacto que o tratamento da crise do COVID-19 teve sobre os indígenas.

A Polícia Federal intimou Sonia Guajajara, chefe da APIB, a maior organização indígena do Brasil, para testemunhar sobre suas declarações a pedido da Funai, criada em 1967 para defender os interesses dos povos indígenas.

Guajajara disse que foi intimada a explicar sua série de documentários publicada na Internet chamada “Maracá – Emergência Indígena”, que denuncia o impacto letal da pandemia COVID-19 sobre 850 mil indígenas brasileiros e acusa o governo de genocídio por não protegê-los.

“A perseguição por este governo é inaceitável e absurda! Eles não vão nos calar”, disse Guajajara em uma mensagem no Twitter na sexta-feira.

Outro líder indígena de Rondônia, Almir Suruí, chefe da Associação Metareilá, também foi convocado para depor.

A função da Funai é coordenar e implementar as políticas do governo brasileiro de proteção à população indígena, principalmente aos isolados e recém-contatados.

Essa função foi restringida sob o governo de Bolsonaro, que critica os indígenas por terem muitas terras de reserva e defende a mineração comercial em suas terras. Bolsonaro nomeou um policial, Marcelo Xavier, para dirigir a agência.

A Funai não quis comentar as intimações e disse que não comenta questões sob investigação policial.

A APIB rejeitou o movimento para silenciar as lideranças indígenas.

“Em mais um ato de perseguição política e autoritarismo, o governo do presidente Bolsonaro está tentando criminalizar o movimento indígena e seus líderes”, disse em um comunicado.

A APIB disse que os ataques partem de um órgão federal que deveria defender os direitos e promover a autonomia e liberdade de expressão dos povos indígenas.

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