Desmatamento na Amazônia brasileira em meio ao debate climático da COP26

O desmatamento detectado na Amazônia brasileira aumentou pelo segundo mês consecutivo em relação ao ano passado, encerrando uma série de dados encorajadores em um momento em que o governo prometeu conter a extração ilegal de madeira

Os alertas de satélite de desmatamento em outubro corresponderam a 877 quilômetros quadrados (339 milhas quadradas), o maior indicador para o mês em cinco anos e 4,9% a mais que no mesmo mês de 2020, segundo dados do sistema de monitoramento Deter da agência espacial brasileira que foram lançados na sexta-feira. O mês de setembro registrou 2,3% a mais de desmatamento em relação ao mesmo mês do ano passado.

Esses dados são considerados um indicador importante para cálculos completos lançados perto do final do ano do sistema mais preciso, o Prodes, que se baseia em imagens mais claras, mas que geralmente acompanha os dados do Deter.

Os aumentos ocorreram após dois meses de quedas acentuadas que geraram entusiasmo por parte de funcionários do governo do presidente Jair Bolsonaro. Grupos ambientalistas alertaram na época que era muito cedo para considerar esses dados uma tendência.

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“Não vi esses números, ouvi que eles foram divulgados hoje, mas minha concentração está nas negociações (COP26)”, disse Leite a jornalistas durante entrevista coletiva em Glasgow na sexta-feira. “O desmatamento é um desafio brasileiro e não fugimos disso”, afirmou.

Nas Nações Unidas em setembro, Bolsonaro creditou os esforços redobrados de seu governo pela queda dos alertas no mês anterior. Mas o desmatamento acumulado em 2021 foi essencialmente estável em relação ao ano passado, de acordo com os dados preliminares.

Antes de Bolsonaro assumir o cargo em 2019, a Amazônia brasileira não registrava um único ano com mais de 10.000 quilômetros quadrados de desmatamento em mais de uma década. Entre 2009 e 2018, a média por ano foi de 6.500 quilômetros quadrados. Teve uma média de 10.500 quilômetros quadrados nos primeiros dois anos completos do mandato de Bolsonaro.

Bolsonaro levantou preocupações entre os ambientalistas ao apelar para o desenvolvimento na região amazônica e rejeitar as reclamações globais sobre sua destruição como uma conspiração para conter o agronegócio do país. Seu governo também desonrou as autoridades ambientais e apoiou medidas legislativas para afrouxar a proteção da terra, encorajando os grileiros.

“Os dados do Deter lembram que o mesmo Brasil que circula nos corredores e saguões da COP26, em Glasgow, é o mesmo onde grileiros, madeireiros ilegais e garimpeiros têm licença governamental para destruir a floresta”, informa o Observatório do Clima, uma rede de grupos ambientais, disse em um comunicado.

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