Brasil mira plano de previdência social para trabalhadores de aplicativos móveis

Sacos de entrega de alimentos são retratados como trabalhadores brasileiros de entrega do Uber Eats, Rappi e outros aplicativos de entrega protestam como parte de uma greve para exigir melhores salários e condições de trabalho, em meio ao surto de doença por coronavírus (COVID-19), em São Paulo, Brasil 25 de julho , 2020. REUTERS/Amanda Perobelli/File Photo

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BRASÍLIA, 27 Abr (Reuters) – O governo do Brasil está estudando a criação de um novo sistema de previdência social para trabalhadores de aplicativos móveis, especialmente para serviços de entrega e transporte, disse o ministro do Trabalho, José Carlos Oliveira, nesta quarta-feira.

Empresas de tecnologia e trabalhadores temporários contribuiriam para o novo sistema de previdência, que será proposto como legislação antes do final deste ano, disse o ministro a repórteres.

“Encontrar um novo modelo de legislação não é fácil”, disse Oliveira, acrescentando que a proposta foi desenvolvida com a participação de empresas de tecnologia e provedores de serviços em seus aplicativos.

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O objetivo é reduzir as condições precárias dos trabalhadores de aplicativos, cujos números aumentaram exponencialmente nos últimos anos com o crescimento de aplicativos de carona como Uber Technologies (UBER.N) e 99, além de serviços de entrega de alimentos como Rappi e iFood.

Um desafio no Brasil tem sido como incluir os trabalhadores de aplicativos na cobertura previdenciária, permitindo que eles recebam mais de um salário mínimo quando se aposentarem, sem sujeitá-los ao rígido código trabalhista do país para funcionários em tempo integral.

“Os trabalhadores deixaram claro que não querem se tornar empregados em tempo integral. Eles querem continuar autônomos para manter a liberdade de definir seus horários e dias de trabalho, como fazem hoje”, disse o vice-ministro do Trabalho, Bruno Dalcolmo, quem está liderando as discussões.

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A proposta em análise envolveria pagamentos por parte das empresas ao mesmo tempo em que estabelece que não há vínculo formal de trabalho com seus trabalhadores, disse Dalcolmo.

“As empresas sabem que terão que contribuir e que precisam melhorar o relacionamento com seus trabalhadores”, acrescentou.

Do lado dos empregadores, a principal preocupação não é criar uma legislação tão rígida que prejudique seus modelos de negócios e reduza a concorrência, disseram as autoridades.

Representantes de Uber, 99, Rappi e iFood não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Os trabalhadores de aplicativos hoje podem fazer contribuições para a previdência social como microempreendedores individuais, mas a maioria não.

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Reportagem de Lisandra Paraguassu Reportagem adicional de Gabriel Araujo em São Paulo; Escrito por Anthony Boadle; Edição por Bill Berkrot

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