Aves brasileiras não causam muitas infecções por Salmonella no Reino Unido

A salmonela de aves importadas do Brasil não causa muitas doenças nos consumidores do Reino Unido, de acordo com um estudo.

Dados de vigilância de longo prazo coletados no Reino Unido não mostraram aumento em dois tipos de Salmonella após o aumento desses sorovares em aves brasileiras.

Cientistas do Quadram Institute, University of East Anglia, UK Health Security Agency (UKHSA), Animal and Plant Health Agency (APHA) no Reino Unido e da Universidade de São Paulo acompanharam como as mudanças na criação de frangos no Brasil impactaram o perfil de Salmonella circulante dentro da avicultura.

O Brasil produz quase 14 milhões de toneladas de carne de frango por ano e é o maior exportador. Estudos anteriores mostraram a presença de Salmonella em carnes importadas para o Reino Unido e a UE. Os cientistas queriam saber se as cepas de Salmonella no Brasil estavam causando intoxicação alimentar nos países que importam os produtos.

Concentre-se em dois tipos de Salmonella
Os pesquisadores compararam 183 genomas de Salmonella coletados de galinhas no Brasil de 2012 a 2018 e 357 genomas de humanos, aves domésticas e aves brasileiras importadas no Reino Unido. Eles também analisaram mais de 1.200 genomas dos dois principais tipos de Salmonella encontrados no Brasil. As descobertas foram publicadas no revista PLOS Genetics.

Um levantamento da avicultura brasileira encontrou dezenas de diferentes tipos de Salmonella, sendo Heidelberg e Minnesota, os mais dominantes. Das 318 amostras de carne enviadas para o Reino Unido, 91% eram de Heidelberg ou Minnesota, sendo a maioria a primeira.

A equipe analisou os tipos de Salmonella por trás de infecções de amostras que remontam a 15 anos. Cerca de um em 200 foram atribuídos a Heidelberg ou Minnesota, e alguns podem estar ligados a viagens recentes ao exterior.

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Não havia dados oficiais sobre infecções por Salmonella no Brasil para avaliar a escala do impacto desses sorovares na saúde pública brasileira.

Ao comparar os genomas brasileiros de Heidelberg e Minnesota com outros coletados em todo o mundo, ficou claro que eles formavam um subgrupo distinto, separado dos casos humanos. O trabalho com a Agência de Saúde Animal e Vegetal mostrou que a Salmonella associada ao Brasil não foi encontrada em frangos do Reino Unido.

Papel da vacina e uso de antibióticos
A introdução de uma vacina contra Salmonella e o aumento do uso de antibióticos por agricultores brasileiros levaram ao surgimento de cepas mais resistentes a antibióticos, mas com menor probabilidade de causar doenças em humanos.

As técnicas agrícolas intensivas utilizadas no Brasil para produzir grandes quantidades de carne de frango envolvem o uso de antimicrobianos. Salmonella Heidelberg e Minnesota apresentaram uma combinação de genes que conferem resistência a diferentes classes de antimicrobianos: sulfonamidas, tetraciclinas e beta-lactâmicos. Isso provavelmente lhes deu uma vantagem competitiva no ambiente de produção avícola no Brasil.

A equipe descobriu que os dois principais tipos de Salmonella se desenvolveram no Brasil por volta de 2006, alguns anos depois que o país introduziu uma vacina contra Salmonella Enteritidis para aves. Apesar do aumento, essas bactérias resistentes a antibióticos causaram muito poucos casos de Salmonella no Reino Unido e não se espalharam para galinhas domésticas.

Alison Mather, do Instituto Quadram, disse que analisou como as mudanças na criação de frangos no Brasil afetaram o perfil da Salmonella no setor avícola.

“Embora isso não represente risco imediato para a saúde de países importadores como o Reino Unido, as bactérias eram resistentes a medicamentos antimicrobianos, e isso destaca a importância de adotar uma abordagem One Health que veja as conexões entre a saúde das pessoas, animais e meio ambiente, especialmente ao avaliar as cadeias globais de fornecimento de alimentos”, disse Mather.

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